Em março de 2020, a Cheesecake Labs, como tantas outras empresas, precisou encontrar um jeito de trabalhar de forma remota. Nem sempre foi fácil, mas hoje muitas empresas reconhecem os benefícios de ser remote-first.
Mas o que significa ser uma empresa remote-first? E como criar uma cultura de trabalho remote-first que mantenha todo mundo motivado e produtivo?
Veja como fizemos isso na Cheesecake Labs.
O que é cultura remote-first?
Em uma empresa remote-first, o padrão é o time trabalhar remotamente (em casa ou em outro espaço de trabalho), e não na sede da empresa. Empresas remote-first criam uma cultura que sustenta o trabalho remoto e permitem que as pessoas trabalhem no escritório se quiserem.
Construir uma cultura remote-first que funcione exige tempo e esforço: você precisa criar um ambiente inclusivo, seguro e colaborativo, que permita a cada pessoa entregar seu melhor trabalho de onde estiver.
Mas, uma vez estabelecida essa cultura, o modelo remote-first traz muitos benefícios para as pessoas e para o negócio.
Empresas que escolheram a estratégia remote-first
Algumas das maiores empresas do mundo saíram do escritório e se tornaram remote-first. Veja alguns exemplos.
- Coinbase
Em maio de 2020, a Coinbase anunciou que adotaria a cultura remote-first assim que as restrições da COVID fossem retiradas. O CEO Brian Armstrong disse que ser remote-first representava uma “enorme oportunidade e vantagem estratégica” para a empresa.
- Dropbox
A Dropbox anunciou em outubro de 2020 que se tornaria uma empresa “virtual-first”. No blog da empresa, o time escreveu que o trabalho remoto fora do escritório seria a experiência principal de todo mundo, mas que a empresa continuaria a viabilizar colaboração presencial e encontros de time para quem quisesse participar.
O Pinterest adota uma abordagem remote-first com o PinFlex. O PinFlex permite que as pessoas que trabalham no Pinterest morem e trabalhem de qualquer lugar, e ainda incentiva o time a viajar pelo mundo e trabalhar de lugares diferentes.
- Shopify
O CEO da Shopify, Tobi Lütke, publicou no Twitter em maio de 2020 que a Shopify se tornaria uma empresa “digital by default”. Ele disse que a maior parte do time trabalharia remotamente de forma permanente e que a Shopify iria reformular seus escritórios para se alinhar à nova realidade de trabalho.
- Cheesecake Labs
Você pode incluir a Cheesecake Labs na lista de empresas de tecnologia remote-first, e daqui a pouco vamos contar mais sobre a nossa transformação.
Remote-first vs. remote-friendly vs. remote-only vs. híbrido
Existem muitas formas de descrever o mundo do trabalho hoje. Nos exemplos acima, cada empresa define a sua abordagem de trabalho remoto de um jeito.
Então quais são as diferenças entre ser remote-first ou remote-friendly
E onde entra o modelo híbrido? Aqui vai uma tabela para comparar os termos mais comuns:
| Remote-first | Remote-only | Remote-friendly | Híbrido |
| 1. O time trabalha remotamente na maior parte do tempo. 2. A empresa mantém algum tipo de escritório ou sede. 3. Quem quiser pode trabalhar no escritório. 4. A empresa desenha a experiência do time para ser excelente em qualquer lugar de onde se trabalhe | 1. O time trabalha sempre de forma remota. 2. A empresa não mantém nenhum escritório central. 3. Empresas remote-only podem se encontrar presencialmente de vez em quando, mas trabalhar junto no mesmo espaço não é o padrão | 1. O time tem a opção de trabalhar remotamente. 2. Em organizações remote-friendly, parte do time pode trabalhar remotamente em parte do tempo. 3. Ainda assim, a maioria trabalha no escritório | 1. O time divide o tempo entre o escritório e o trabalho remoto. 2. Cada empresa define uma escala híbrida diferente, com dias fixos por semana no escritório ou um número de dias por mês em que o time precisa estar presencialmente. |
6 benefícios da cultura remote-first
Por que tantas empresas estão escolhendo o modelo remote-first? Se você está considerando essa cultura, veja alguns benefícios que aparecem quando o time ganha mais flexibilidade e escolha sobre de onde trabalha.
1. Produtividade
Estudos mostram que empresas remote-first com liderança eficaz mantêm ou aumentam os níveis de produtividade, e trabalhar de casa pode aumentar a produtividade em 13%.
No modelo remote-first, cada pessoa trabalha quando se sente mais produtiva e encaixa melhor o trabalho no resto da vida. Essa liberdade se traduz em mais produtividade no conjunto.
2. Redução de custos
Construir uma cultura remota significa economia para a empresa e para quem trabalha nela.
- Em uma pesquisa com líderes de empresas de tecnologia, 90% disseram estar priorizando ou repriorizando o trabalho remoto para economizar.
- E um estudo de 2021 apontou que empregadores economizam US$ 11 mil por ano para cada pessoa que trabalha remotamente de dois a três dias por semana. Com uma cultura remote-first, essa economia aumenta.
O trabalho remoto não é bom só para a empresa: ele também pesa no bolso de quem trabalha. Em média, cada pessoa economiza US$ 6 mil por ano trabalhando de forma remota. Essa economia vem de menos deslocamento e transporte, menos gasto com cuidado dos filhos e até de roupas de trabalho.
3. Engajamento
87% das pessoas escolhem trabalhar de forma remota quando têm a chance, e quem trabalha remotamente é 22% mais feliz do que quem está em ambiente de escritório. Oferecer trabalho remoto como padrão ajuda bastante a formar times mais engajados.
Na nossa experiência, criar uma cultura remote-first dá trabalho, mas acertar nisso compensa.
4. Recrutamento e retenção
As pessoas procuram flexibilidade e autonomia no trabalho.
- 77% dos profissionais querem horário flexível
- e 58% querem uma política de trabalho remoto de qualquer lugar.
Ou seja: quanto mais flexibilidade você oferecer, mantendo uma boa cultura remota, melhor será sua capacidade de contratar gente nova e reter quem já está no time.
5. Diversidade
Adotar uma cultura remote-first ajuda bastante a tornar as empresas mais diversas e inclusivas. Quando você tira a exigência de que todo mundo trabalhe no mesmo escritório, abre mais oportunidades de contratação diversa. Em vez de contratar por localização, você encontra os melhores candidatos pelas habilidades que têm. E estudos mostram que pessoas de grupos sub-representados tendem a preferir trabalho flexível ou remoto.
6. Clientes
Somando todos esses benefícios, fica claro que o modelo remote-first melhora a experiência de trabalho e a produtividade. Com um time mais satisfeito e mais produtivo, os clientes também saem ganhando.
Na Cheesecake Labs, notamos que a performance geral melhorou desde a mudança para o trabalho remoto, e esse ganho chega direto aos nossos clientes.
Como construir uma cultura forte com um time remoto
Não existe uma única forma de construir uma cultura forte quando o time inteiro é remoto: o melhor caminho é ajustar a abordagem às necessidades do seu time.
Dito isso, existem pontos centrais que qualquer empresa precisa considerar antes de fazer essa mudança.
Ferramentas
Empresas precisam das ferramentas certas para sustentar o trabalho remoto. Isso inclui os aplicativos de mensagem de sempre, como Slack, software de reunião como Zoom, e ferramentas de e-mail e agenda.
Mas isso não impede que você seja criativo na forma de se comunicar. Na Cheesecake Labs, usamos o Discord para criar um “escritório” virtual informal, onde as pessoas podem trabalhar juntas e conversar sem formalidade, recriando a parte social do escritório.
Também vale criar um “hub” formal de pessoas e cultura, onde o time pode dar feedback sobre como está a experiência remota, tirar dúvidas e acessar materiais. Você pode construir esse hub internamente ou usar um fornecedor como a Qulture.rocks.
Ferramenta, porém, não é só tecnologia. Você também precisa definir como vai medir o sucesso das iniciativas remote-first. Metodologias como Objectives and Key Results (OKRs) ajudam a analisar o esforço e mostram onde é preciso mudar e melhorar.
Liderança
Uma liderança forte e atenta às pessoas é o que sustenta a construção de cultura em um ambiente remoto. Veja alguns pontos que a liderança precisa considerar e gerenciar com cuidado.
- Comunicação
- Inclusão
- Gestão do tempo
- Engajamento do time
A forma de fazer isso muda de empresa para empresa, então não dá para dizer exatamente como. Mas dá para contar um pouco mais sobre como encaramos esse desafio na Cheesecake Labs.
Como a Cheesecake Labs virou uma empresa remote-first

Uma semana depois do início do isolamento da COVID, já sabíamos que precisávamos criar um ambiente de trabalho remoto que funcionasse. Antes da pandemia, todo mundo trabalhava no escritório.
Mudar para o trabalho totalmente remoto foi uma mudança grande. Felizmente, já sabíamos nos comunicar e colaborar à distância, porque era assim que trabalhávamos com a maior parte dos nossos clientes.
Isso nos deu um ponto de partida. Começamos a adaptar os processos que já usávamos com clientes e encontramos formas de fazê-los funcionar dentro da Cheesecake Labs. Com o tempo, ajustamos e mudamos esses processos para apoiar melhor nosso time (os Cakers) conforme todo mundo se acostumava ao modelo remote-first.
Quando o isolamento começou a afrouxar e muitas empresas trouxeram as pessoas de volta ao escritório, sabíamos que tínhamos uma escolha grande pela frente.
Continuar remote-first ou voltar a exigir mais tempo presencial? No fim, concluímos que ser uma empresa remota tinha aberto oportunidades demais para voltarmos ao escritório.
Um exemplo: desde a mudança para a cultura remote-first, passamos a contratar em todo o Brasil, e não apenas quem mora perto do nosso escritório em Florianópolis.
Encontramos novas formas de nos comunicar e de melhorar a relação entre o time e a liderança. E trabalhamos bastante para melhorar a experiência das pessoas, alinhando com o jeito que elas querem trabalhar hoje.
Não estamos dispostos a abrir mão de nenhum desses benefícios. Por isso, decidimos que a Cheesecake Labs continuaria sendo uma empresa remote-first. Mas, como sempre, do nosso jeito.
Como a liderança sustentou a mudança para o trabalho remoto
Sabíamos que a liderança era peça central para criar uma cultura remote-first saudável. A liderança da Cheesecake Labs precisou se unir e garantir que todo mundo na empresa se sentisse seguro e ouvido durante a transição. E era essencial que cada pessoa tivesse o que precisava para fazer seu trabalho da melhor forma possível.
A forma de fazer isso está sempre mudando, mas aqui estão algumas coisas que fizemos nos últimos anos para criar um ambiente remote-first sólido.
- Repensar a organização da empresa
Com todo mundo trabalhando remotamente, fica mais difícil ter interações informais ao longo do dia. No escritório, as “conversas de corredor” aconteciam sozinhas; trabalhando de casa, a chance de esbarrar em um colega na cozinha é bem menor.
No começo, a empresa era organizada em times por departamento (batizados com nomes de queijos, claro), mas o trabalho remoto fez com que muitos Cakers tivessem menos contato com colegas de fora do seu grupo.
Estamos migrando para uma nova estrutura de chapters e guilds. Como sempre damos nosso toque às coisas, nossos chapters se chamam Bakeries e reúnem Cakers com formação, habilidades e especialidade parecidas.
As Bakeries são formadas a partir do que cada pessoa faz dentro da empresa. Por exemplo, para o grupo que desenvolve aplicativos mobile, podemos ter uma Mobile Bakery com gente de diferentes departamentos contribuindo para o objetivo final de criar ótimos apps mobile.
Também estamos montando Guilds focadas em iniciativas específicas da Cheesecake Labs, como Respeito & Inclusão ou Inovação de Processos Internos.
As Guilds dão aos Cakers a chance de se reunir e trabalhar em projetos e temas pelos quais têm mais interesse, o que na nossa visão torna a empresa um lugar melhor para trabalhar.
E, para os projetos, montamos Squads. Squads são times menores e ágeis, responsáveis pela entrega ponta a ponta dos nossos serviços, formados de acordo com a necessidade do cliente e do projeto.
Squads existem na Cheesecake Labs desde o começo, e sabíamos que precisávamos mantê-las nessa nova estrutura para preservar nossos valores e continuar entregando um serviço WOW para os clientes.
Acreditamos que essa nova estrutura vai ajudar mais Cakers a se conectar com pessoas de fora do seu departamento e vai deixar a cultura da empresa mais coesa.
- Mudar a forma como nossos processos funcionam
Manter os mesmos processos que tínhamos com todo mundo no escritório não ia funcionar. Então precisamos repensar como adaptar esses processos à experiência de trabalho remoto.
- Reimaginar como construímos relações
Manter a relação entre colegas e entre os Cakers e nosso time de People & Culture é desafiador. Estamos sempre procurando novas formas de manter as pessoas conectadas, mesmo trabalhando a quilômetros de distância.
Quase imediatamente depois que o Brasil entrou em isolamento, criamos uma reunião semanal chamada “better together”, aberta a todos os Cakers, para falar sobre segurança emocional e sobre o momento da pandemia. Nessas reuniões, os Cakers também podiam levantar preocupações e dar feedback sobre como conduzimos a mudança para o trabalho remoto.
Essa é a parte do processo que estamos sempre tentando melhorar, porque, a esta altura, ninguém tem todas as respostas. Estamos dispostos a testar formas novas e diferentes de conectar e comunicar para fortalecer os laços entre todos os Cakers da empresa.
Assumimos o trabalho remoto, mas mantemos nosso escritório

Nós amamos nosso escritório. Basta atravessar a porta para perceber que aquele lugar é a cara da Cheesecake Labs. Antes da pandemia, o escritório era a expressão viva dos Cakers que trabalham aqui.
Por isso, mesmo apostando de vez na cultura remote-first, achamos importante manter nossos escritórios. O escritório nos conecta à comunidade local e dá aos clientes um lugar para nos encontrar pessoalmente. Agora que dá para se encontrar presencialmente com mais liberdade, ele passa a ser um ponto de encontro para seguir construindo relações de verdade.
Para nós, remote-first é deixar cada pessoa trabalhar onde, quando e como trabalha melhor. Alguns Cakers rendem mais no escritório. Por isso é importante oferecer esse espaço e essa possibilidade de escolha.
Enxergamos nossos escritórios como um ponto central, disponível para quem precisar, quando precisar.
Certificação Great Place to Work

Todas essas mudanças tinham potencial para colocar nossa cultura em risco, mas temos orgulho de dizer que a Cheesecake Labs foi reconhecida como Great Place to Work três vezes em 2022.
Leia mais sobre as conquistas da empresa em 2022: A Cheesecake Labs completa nove anos!
Nos esforçamos para que a transição para o modelo remote-first não piorasse a experiência de trabalho. Estas são algumas das formas como buscamos tornar essa experiência excelente na Cheesecake Labs.
- Repensar os benefícios para depender menos do escritório
Não estar no escritório exigiu revisar os benefícios que oferecemos aos Cakers. Antes, tínhamos comida, bebida e até cerveja liberadas no escritório para todo mundo. Hoje, oferecemos um plano de benefícios flexível, que cada pessoa usa no que faz mais sentido para ela.
Isso pode incluir delivery de comida, combustível ou transporte, melhorias no home office, saúde, educação continuada e muito mais. No fim, queremos que os Cakers tenham acesso ao que mais importa para eles, e o benefício flexível é o que permite isso.
Gostamos de uma boa comemoração na Cheesecake Labs, e isso não mudou com o trabalho remoto. Temos dias de celebração recorrentes e enviamos kits de brindes para cada Caker comemorar de onde estiver.
- Incentivar autonomia e responsabilidade
“Assuma o protagonismo e a responsabilidade” é um dos nossos valores, e acreditamos que ele é uma das principais razões pelas quais a transição para o modelo remote-first deu certo.
Cada Caker tem espaço para aprender e crescer no próprio ritmo. Incentivamos todo mundo na empresa a tirar um tempo para descobrir quando e onde trabalha melhor.
- Celebrar toda conquista, grande ou pequena
Às vezes, trabalhar de casa dá uma sensação de isolamento. Por isso é tão importante para nós celebrar todas as conquistas, grandes e pequenas, que cada pessoa vive todo dia.
Gostamos de usar ferramentas como Slack e Kudo Cards para criar “estações de reconhecimento” virtuais, onde todo mundo pode falar do que se orgulha, parabenizar os colegas e celebrar o que há de bom em cada dia de trabalho.
Conheça nossa cultura remote-first por dentro
Dá para falar sem parar sobre desenhar a cultura e o ambiente de trabalho ideais, mas existe um jeito melhor de conhecer o que fazemos na Cheesecake Labs.
Se você acha que se daria bem na nossa cultura remote-first, se tem ideias grandes e quer se divertir trabalhando com gente muito boa, dê uma olhada na nossa página de carreiras e nas vagas abertas.
Vamos adorar trabalhar com você.